Publicado quarta, 04 de março de 2026

A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira, dia 4, teve como um dos principais alvos das medidas cautelares o economista Paulo Sérgio Neves de Souza, morador do município e ex-diretor de Fiscalização do Banco Central (BC).
A operação investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master. Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), Paulo Sérgio passou a utilizar tornozeleira eletrônica e está sujeito a uma série de restrições, incluindo o afastamento oficial de suas funções públicas e a proibição de deixar a cidade.
A Conexão com o Banco Master
De acordo com as investigações da Polícia Federal, Paulo Sérgio Neves de Souza é suspeito de utilizar sua posição de influência no Banco Central para favorecer o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A PF aponta que o ex-diretor teria prestado uma espécie de "consultoria informal" e recebido vantagens financeiras para facilitar operações ou omitir fiscalizações rigorosas sobre a instituição financeira, que sofreu intervenção e liquidação pelo BC no final do ano passado.
Entre as provas colhidas, os investigadores mencionam até mesmo o custeio de guias de viagem para a família do servidor em troca de informações privilegiadas e proteção institucional.
Medidas Cautelares
Diferente de Daniel Vorcaro, que teve prisão preventiva decretada nesta fase, o morador de Guaxupé responderá ao processo em liberdade vigiada. As ordens expedidas pelo ministro Gilmar Mendes (relator do caso no STF) incluem:
-Monitoramento eletrônico (tornozeleira);
-Recolhimento domiciliar no período noturno e aos finais de semana;
-Proibição de acesso às dependências do Banco Central e contato com outros investigados;
-Entrega do passaporte à Polícia Federal.
O Outro Lado
Em notas anteriores, a defesa de Paulo Sérgio Neves de Souza vem negando qualquer irregularidade, afirmando que sua trajetória no Banco Central sempre foi pautada pela técnica e pela legalidade. Até o fechamento desta edição, os advogados do economista não haviam se manifestado especificamente sobre a instalação da tornozeleira nesta quarta-feira.
O Banco Master, agora sob gestão de liquidantes, também afirma estar colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos que levaram ao rombo estimado em bilhões de reais.